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Lutamos contra... Quem mesmo?Autor: Eduardo Maçanmacan@debian.org 03/01/2002 Sun
Tsu Wu foi um estrategista militar chinês que viveu por volta do ano
500 A.C. Sua obra "A arte da guerra" é estudada em todas as academias
militares e seus princípios são freqüentemente adaptados para outras
áreas, como economia, administração ou marketing. Você pode lê-Ia
graças ao projeto Gutemberg (http://www.promo.net/pg/). Felizmente a
obra é de domínio público; se fosse escrita hoje, provavelmente daqui a
25 séculos você ainda seria obrigado a pagar royalties para o autor.
Da arte da guerra: "Se conheceres o inimigo e a ti mesmo, não precisarás temer o resultado de uma centena de batalhas. Se conheceres a ti mesmo, mas não ao inimigo, para cada vitória conquistada sofrerás uma derrota. Se não conheceres nem a ti próprio nem ao inimigo, irás sucumbir em todas as batalhas". Se nós queremos o sucesso, além de saber a favor do que devemos lutar, devemos saber exatamente contra o que lutamos, ou nossas chances não serão muito boas, então: Quem são os inimigos do software livre? A Microsoft? Nah... muita ingenuidade de quem acha que deveríamos lutar contra ela. As evidências são que, eles sim, nos consideram seus inimigos e principal ameaça. O software livre não deve lutar contra uma empresa. Os inimigos reais são as ferramentas desleais que ela utiliza, e que qualquer outro pode utilizar, muito embora seu monopólio faça com que cada ação sua tome proporções mundiais. Protocolos, APls e formatos proprietários devem ser combatidos, pois forçam a dependência de um determinado produto e dificultam a existência de equivalentes livres. Em um mundo interligado por centenas de plataformas de hardware e software diferentes devemos assegurar o pleno intercâmbio de dados, e isto só se obtém através de padrões abertos e livremente implementáveis. O que deve determinar de quem eu vou comprar meu editor de textos não deve ser o que a maioria usa, mas o custo e benefícios que cada produto me proporciona. Patentes de software. Algoritmos (leia: matemática) e práticas de negócio não devem poder ser exclusividade de ninguém. Se antes de desenvolver algo formos obrigados a pesquisar registros de patentes, o desenvolvimento será prejudicado pelo altíssimo custo de pesquisa. O desenvolvimento de software fatalmente seria exclusividade de grandes empresas, que podem trocar licenças de patentes entre si. Seria o fim do desenvolvimento independente e do sonho individual de se criar um produto e uma empresa para comercializá-lo. Políticas absurdas e protecionismos. Em setembro do ano passado, nos EUA, foi apresentado um projeto de lei denominado SSSCA (Security Systems Standards and Certification Act) que obrigaria todo dispositivo digital interativo, hardware ou software, a apresentar meios de impedir cópia de conteúdo protegido. Software livre implica o acesso ao código fonte, qualquer um poderia alterar livremente os mecanismos de proteção. Segundo esta proposta, software livre poderia ser considerado ilegal dentro dos EUA. Devemos vigiar e impedir que projetos e leis assim apareçam no Brasil, ou que nos sejam impostos por acordos internacionais. Restrições às liberdades individuais e privacidade. Software livre é liberdade de expressão. Qualquer restrição a nosso direito à privacidade e liberdade de escolha e expressão acabará se refletindo sobre o software livre e vice-versa. Devemos lutar por garantir nosso direito à segurança e privacidade de nossos dados pessoais e comunicação. Qualquer imposição sobre que software você deve usar, ou contra a privacidade de seus dados digitais deve ser duramente combatida. O zelo pelo software livre, como você pode notar, não é facilmente dissociável do dever de zelar pela sua sociedade e por seu próprio futuro. Janeiro/2002 |
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